segunda-feira, 24 de julho de 2017

Capítulo 3: Roubar, matar...

Logo  depois que o ladrão ou o diabo roubou o prazer daquele jovem, ele não perdeu tempo, partiu para matar, ou separar o jovem da família “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir...” (Jo 10:10-a)  A tentação das obras das trevas busca envolver a pessoa, e compete á sua vítima aceitar as sugestões das trevas ou praticar a Palavra de Deus que é luz. É uma tentação quando nos deparamos com a injustiça, com humilhação, com situações que são contra os nossos planos. Temos diariamente exemplos de pessoas que na hora em que a tentação chegou, ela logo “subiu nas tamancas” pessoas que dizem que não levam desaforo para casa, agem loucamente sem medir as consequências. Mas o que diz a Palavra de Deus? Oras, diz que os humilhados serão exaltados, diz que não devemos pagar o mal com a mesma moeda. A situação contrária aparece na vida de todos, e é nesta hora que escolhemos que atitude tomar. Seguir na sugestão das trevas ou andar na luz da Palavra de Deus. Se escolhermos andar na luz, não tropeçaremos e teremos vida. Por outro lado, se preferirmos agir no escuro, nos pensamentos maus, na rincha, na contenda, então tropeçamos, machucamos, destruímos, nos condenamos a pagar um preço alto. “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” (João 3:19)


Se no momento em que o maligno ataca o homem, se este se recusar a aceitar as suas sugestões, o mal não triunfa sobre ele. Se por outro lado, a investida do mal o superar, a pessoa se afasta da família e de Deus, ela fica frágil, debilitada, mas momentaneamente ela tem a sensação de ser forte porque está confiando no seu conhecimento, no seu estudo ou como no exemplo bíblico, no dinheiro que o jovem levou consigo.


Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.” (Lucas 15:13) Aquele jovem foi roubado, todo o prazer, satisfação, carinho, tudo de bom que ele recebeu de sua família foi reduzido á um saquitel com moedas de ouro.  Ele agiu de maneira obstinada, importunou seu pai, provavelmente o fez chorar muitas vezes, mas nada importava, ele queria suas posses em suas mãos. E ele teve tudo o que desejou naquela ocasião. Ele saiu de sua casa bem vestido, em seus pés estava um par de sandálias da melhor qualidade, um tipo de sandálias que só usavam os príncipes. Em sua mão havia um anel de autoridade, o anel de filho do patrão, filho do rei. Tudo isto ele sempre teve, mas ele não percebia o valor que aquilo representava, não valorizava nada do que tinha, a única coisa que encheu seu coração de alegria foi o saquitel com todo o dinheiro de sua herança antecipada. Ele já estava roubado do que havia de mais precioso, o amor dele foi roubado. Agora a sua vida era um saquitel com dinheiro, assim como hoje uma conta bancária é tudo para muitos.  Ele então partiu para o mundo bem vestido, perfumado e com sua vida em forma de dinheiro em um saquitel.

Aquele jovem achava que seu pai não sabia usar os recursos que tinha. Na sua mente, ele não entendia como alguém poderia ser feliz em uma fazenda, trabalhando, se preocupando com as tarefas do dia a dia. Seus amigos sim, estes viviam a vida como reis.  Ele começou a gastar todo seu dinheiro com o que lhe parecia bom, como bebidas, jogos, mulheres, festas, uma vida de playboy.

É importante que façamos uma auto avaliação, pois não são poucas as vezes que nós agimos de maneira parecida. Aquele jovem tomou sua herança e a desperdiçou. Talvez não desperdicemos nossa herança financeira, mas sim os talentos que Deus nos confiou. Temos nossa saúde, temos vigor, temos a graça de todos os dias podermos abrir os nossos olhos e diante de nós contemplarmos um dia lindo cheio de oportunidades. Podemos nos levantar, podemos nos alimentar, raciocinar, criar, viver. Mas o que fazemos com nossos talentos? Deus é o nosso pai, nós somos seus filhos. O que fazemos por nosso Pai? Trabalhamos em sua seara? Dedicamos algum tempo para sermos gratos a Deus? A verdade é que muitas vezes nem nos lembramos de Deus! Agimos como o filho pródigo, desperdiçamos nossos dias como bem queremos. Usamos nossas energias e inteligência imitando estranhos, construindo sobre a areia, nos afastamos de Deus, nos afastamos de nossa família, nos afastamos de tudo. Quantos também participavam ativamente de uma congregação, visitavam doentes, oravam nas casas e hoje estão totalmente longe de seus dons e chamado? A insatisfação roubou o amor ao próximo que é de vital importância.

Enquanto o jovem tinha algum dinheiro, ele foi sobrevivendo de uma falsa alegria, como nós quando começamos a andar fora dos ensinamentos do manual da vida. A bíblia diz para sermos mansos, resolvemos ser arrogantes. Quando a bíblia diz “para direita”, nós viramos para a esquerda, fazemos tudo como queremos porque o que nos importa é um determinado objetivo. Muitas vezes criamos um plano no escuro, sem a luz da Palavra de Deus, e começamos a executar esse plano, usamos a herança de nossa vida, nossa força física, nossa inteligência humana, nossos dias de vida e nos distanciamos a cada dia para mais longe da luz. Com o passar do tempo, com os resultados muito diferentes do que planejamos, chegamos a culpar a Deus por nossos fracassos.

Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.” (Lucas 15:14)

Na fazenda do pai daquele jovem havia um planejamento, havia experiência, sabedoria em lidar com as mais diversas situações. Nunca na vida aquele rapaz teve que resolver um problema, pois seu pai cuidava de tudo. Mas agora era ele e o problema. Ele gastou tudo o que tinha, acabou seu dinheiro, mas a sua vida foi adaptada para viver do dinheiro. O dinheiro era a “vida” dele, era a sua ambição, ele ficou em depressão por causa do dinheiro, ele lutou pelo dinheiro, ele conseguiu o dinheiro a custas da tristeza de seu pai, com isto ele se alegrou. Foi por causa do dinheiro que ele se afastou de seu pai e de sua família. Ele foi viver aonde queria, ele acreditou que a vida em um determinado país seria a sua felicidade, e este país caiu em uma grande crise e sua fortuna acabou. Agora todo aquele sonho que ele tinha não fazia mais sentido, morreram-se os sonhos, pois ele não tinha mais como manter a sua ilusão, ele já não tinha um teto, não tinha mais comida, não tinha mais roupas limpas. Em suas mãos não havia mais o anel da família, pois perdeu negociando em sua jornada. Ele tornou-se um mendigo, maltrapilho, sujo. Qualquer pessoa que o via na rua nunca imaginaria que ali estava o filho de um grande fazendeiro. Isto muito se assemelha á história de pessoas que escolheram viver longe da luz da Palavra de Deus, hoje se olham no espelho e percebem que os anos passaram, tentam encontrar alguma conquista, mas não construíram nada, perderam os melhores anos de sua vida se afundando na escuridão e não encontraram a felicidade planejada. Algumas pessoas até construíram algo que ambicionaram, mas por dentro estão destruídas, ainda que tenham feito fortuna, falta-lhes a paz e a tranquilidade, não há a conquista na felicidade.


Ás vezes, percebemos que perdemos tudo o que tínhamos tentando executar nossos próprios planos. Quantos homens deixaram suas esposas para casar-se com outra mulher e depois se pegaram vivendo em profunda amargura, descobriram que eram felizes e não sabiam.

Quantas vezes olhamos para nós e nos vemos correndo atrás do vento e percebemos que não construímos nada? Os anos passaram, as rugas vieram e não construímos nada! Olhamos para nossa mão e o anel de autoridade já não está em nossos dedos, pois nossa vida caiu em descrédito. Foi isto que aconteceu com o rapaz, é isto que tem acontecido com muitas pessoas. Uma amargura na alma, uma lista de nomes para culpar e nenhuma força para lutar, nosso semblante pode estar como as roupas do rapaz estavam, sujas, amarrotadas, e nosso corpo com cheiro ruim do pecado.

Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.” (Lucas 15:15 -16)

Um jovem rico, educado, amado, um rapaz cheio de sonhos, tomou um caminho sombrio, foi descendo pouco a pouco, de aventura em aventura foi destruindo-se ao ponto de passar fome. Quantas vezes aquele jovem deve ter se lembrado de seu pai, sua família? Mas ele teimava em resolver o problema por si. Ele então se agrega a um estranho daquela terra e vai trabalhar na ilegalidade. Na ocasião da parábola, a criação de porcos era uma atividade ilegal. Em sua terra isto era muito claro, o jovem sabia disto, mas a fome e a necessidade falaram mais alto, e ele tornou-se um transgressor da lei, ele passou a tratar os porcos. A fome que ele passou era tanta que ele desejou comer da lavagem dos porcos. Pense na situação que aquele jovem passou. Há muitos hoje vivendo de maneira parecida. Não cuidam de porcos ou desejam comer lavagem, mas vivem diariamente com atos e atitudes que muitas vezes desonram, humilham, muitos tem desejos tão malignos em seus corações que fazem com que a lavagem dos porcos pareça limpa. Quantas pessoas abandonaram toda a sua educação, deixaram de lado todas as instruções de seus pais para obterem um cargo em uma empresa, ou um cargo político, e hoje vivem na mentira, vivem na manipulação de negócios obscuros! Neste ponto não resta dúvida, o ladrão ou o diabo, destruiu a vida do jovem ou a vida daquele que se deixou levar pelo engano.

Imagine quantas conversas este jovem deve ter tido com outros mendigos que estavam na mesma situação que ele. Imagine quantas vezes ele deve ter dito que a realidade é que ele era filho de um rico fazendeiro! Mas quem acreditaria em sua verdade? Hoje muitos se dizem cristãos, mas andam na escuridão, longe da luz da Palavra de Deus. Vemos pessoas  que foram batizadas, que participavam de cultos, pessoas que eram obreiros em muitas igrejas, e infelizmente, muitos destes estão vivendo uma vida depressiva. Não necessariamente em dificuldade financeira, há muitos que tem uma ótima condição financeira, têm estudo, bens, empresas, mas a vida dela anda em escuridão, sofre de depressão, não percebe as boas coisas da vida que esta ao seu redor.


A depressão não respeita condição financeira nem, profissional. Ela atormenta e rouba o prazer de tudo o que a pessoa tenha construído.  Quando a depressão é vencida, a pessoa se sente feliz, seja no muito, ou no pouco, a alma dela entra em estado de satisfação. Porém, enquanto a pessoa está em depressão, ela já não tem mais autoridade sobre si. Isto porque ela tomou suas forças e talentos como herança e partiu para viver na escuridão. O inimigo de nossas almas já roubou, matou, ele agora quer destruir.

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